segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Os Segredos da Memória na Escalada

Os segredos da memória na Escalada, e outras Modalidades

 Um periódico jornalístico semanal publicou reportagem especial sobre os segredos da memória, na qual considero como mais relevante, o fato de a matéria ter sido baseada em artigos científicos recentes e entrevistas com cientistas renomados em neurociência, responsáveis por tentar desvendar a natureza da mente humana.

Pelo que apurei, foram apresentadas diversas informações úteis, que podem ser adaptadas para retenção de técnicas e "melhorar" (e entender melhor) a memória, "ajudando" a guardar na mente: técnicas, posições e/ou sequências motoras utilizadas na escalada esportiva, boulder e outras Modalidades do esporte.

 A seguir apresentamos a síntese do que consideramos de maior relevância:

1) A memória é diretamente influenciada pelas emoções. Quando a informação é mais impactante e consideramos isso, ocorrem processos fisiológicos que reforçam o processamento e armazenagem dessa informação;

2) A memorização é um processo desgastante para as células e, por isso, a mente tende a não armazenar informações irrelevantes;

3) A memória pode influenciar a criatividade e a inventividade. Além de atributos físicos, um atleta de alto rendimento pode se destacar, pois consegue utilizar a emoção para manipular imagens visuais, auditivas, táteis ou olfativas previamente armazenadas na memória;

4) Novas experiências vivenciadas (e novas emoções), podem alterar exercícios e outras informações já armazenadas na memória;

5) Para ajudar a memorizar uma técnica ou sequência de movimentos e posicionamentos, devem ser intercalados a aprendizagem com períodos de descanso, sempre que possível, retornando à prática da técnica ou sequência, com intervalos crescentes. Exemplo: Retornar à prática após um dia, uma semana, um mês, etc;

6) Exercícios aeróbios aumentam o volume de massa cinzenta em regiões do cérebro relacionadas a memória, atletas possuem maior volume de massa cinzenta do que indivíduos normais, dentre a escalada, são modalidades predominantemente aeróbias;

7) Excesso de informação prejudica a memorização. O cérebro deve ter tempo para processar cada informação. Desse modo, é contraproducente querer transmitir ao escalador muitas técnicas de uma vez só ou sem que haja tempo hábil para armazenar cada uma delas individualmente;

8) Quem dorme bem lembra mais. O sono (e os sonhos) tem papel relevante na consolidação de memórias.

*Referência:
Schelp, D. A conquista da memória. Revista Veja, edição 2.147, ano 43, n.2, 13 de Janeiro de 2010.

Mais um pouco sobre o ácido lático

Ácido Láticoquarta-feira, 13 de agosto de 2008 - 17:44:01

O que acontece com o ácido lático e como é o processo de sua remoção? 

  O ácido lático é removido do sangue e dos músculos durante a recuperação após um exercício exaustivo. Em geral, são necessários 25 minutos de repouso para remover a metade do ácido lático acumulado. A fadiga surge após os exercícios nos quais se acumularam quantidades máximas de ácido lático, a recuperação plena implica na remoção desse ácido tanto do sangue quanto dos músculos esqueléticos que estiverem ativos durante o período precedente de exercícios.

 Pode-se dizer que são necessários 25 minutos de repouso-recuperação após um exercício máximo para se processar a remoção de metade do ácido lático acumulado. Isso significa que, cerca de 95% do ácido serão removido em 1 hora e 15 minutos de repouso, após um exercício máximo. O termo repouso-recuperação se dá pelo fato de que o ácido lático é mais velozmente removido se a recuperação ativa em baixa intensidade for empregada após o exercício do que se o individuo permanecer em repouso (inativo) logo após o exercício.

 Durante um exercício submáximo, porém árduo, no qual o acúmulo de ácido lático não é tão grande, será necessário menos tempo para sua remoção durante a recuperação. Em condições aeróbias, o ritmo de remoção do lactato por outros tecidos correspondente a seu ritmo de formação, resultando na ausência de qualquer acúmulo efetivo de lactato, isto é, a concentração sangüínea de lactato se mantêm estável. Somente quando a remoção não mantém parelismo a produção, o lactato acumula-se no sangue.
Existem 4 destinos possíveis para o ácido lático:

- Excreção na urina e no suor: sabe-se que o ácido lático é excretado na urina e no suor. Entretanto, a quantidade de ácido lático assim removido durante a recuperação após um exercício é negligencial.

- Conversão em glicose e/ou glicogênio: já que o ácido lático é um produto da desintegração dos carboidratos (glicose e glicogênio), pode ser transformado de novo em qualquer um desses compostos no fígado, na presença de energia ATP necessária, contudo, e como já dissemos, a ressintese dos glicogênionos músculos e no fígado é extremamente lento, quando comparado com a remoção do ácido lático. Além disso, a magnitude das alterações no sangüíneo de glicose durante a recuperação também é mínima, portanto, a conversão do ácido lático em glicose e glicogênio é responsável apenas por uma pequena fração do ácido lático removido.

- Conversão em proteína: os carboidratos, incluindo o ácido lático, podem ser convertidos quimicamente em proteínas dentro do corpo. Entretanto, também foi demonstrado nos estudos que, apenas uma quantidade relativamente pequena de ácido lático é transformada em proteína durante o período imediato de recuperação após um exercício.

- Oxidação/ conversão em Co2 e H2o: o ácido lático pode ser usado como combustível metabólico para o sistema do oxigênio, predominantemente pelo músculo, porém o músculo cardíaco, o cérebro, o fígado e o rim também são capazes dessa função. Na presença de oxigênio, o ácido lático é transformado primeiro em ácido piruvico, e a seguir em Co2 e H2o no ciclo de krebs e no sistema de transporte de elétrons, respectivamente. É evidente que o ATP é ressintetizado em reações acopladas no sistema de transporte de elétrons.

O uso de ácido lático como combustível metabólico para o sistema aeróbio, é responsável pela maior parte do ácido lático e é fornecida pelo oxigênio consumido durante a fase de recuperação lenta (intensidade de trabalho abaixo de 60% do Vo2).

Como podemos lidar com o ácido lático e o que fazer para sustentar a intensidade do exercício na presença dele?

A capacidade de gerar altos níveis sangüíneos de lactato durante um exercício máximo, aumenta com o treinamento anaeróbio especifico de velocidade-potência e, subseqüentemente, diminui com um mau condicionamento. A manutenção de um baixo nível de lactato conserva também as reservas de glicogênio, o que permite prolongar a duração de um esforço aeróbio de alta intensidade.

Foi observado em pesquisas que, a elevação dos níveis de lactato nos indivíduos treinados, quando exercitados agudamente, foi significativamente menor que a observada nos sedentários. Tais resultados reproduzem os achados clássicos descritos na literatura, o que nos permite avaliar como eficazes, tanto na intensidade do exercício agudo, na determinação de modificações no metabolismo energético, quanto a protocolos de treinamento físico na produção de adaptações orgânicas. Em outras palavras, treinar para aumentar o limiar anaeróbio.

Ácido Lático


ÁCIDO LÁTICO NO SANGUE: O "VILÃO" TORNA-SE BOM


Autores: George A. Brooks ,Ácido lático no sangue: O "Vil
Principais tópicos
- O ácido láctico não é apenas um produto inútil do metabolismo, mas serve como fonte de energia, como forma de eliminação de carboidrato dietético e como base para a formação de glicose do sangue e de glicogênio no fígado. Entretanto, o ácido láctico pode contribuir para a fadiga muscular.1) O ácido láctico não é apenas um produto inútil do metabolismo, mas serve como fonte de energia, como forma de eliminação de carboidrato dietético e como base para a formação de glicose do sangue e de glicogênio no fígado. Entretanto, o ácido láctico pode contribuir para a fadiga muscular.
- Programas de treinamento podem ser elaborados para minimizar a produção de ácido láctico e aumentar a sua eliminação. Isso pode ser obtido através de uma combinação de treinamento de alta intensidade e treinamento prolongado submáximo.

Introdução
Até pouco tempo atrás, muitos técnicos, médicos, educadores e leigos acreditavam que o ácido láctico era responsável por uma série de problemas atléticos: fadiga, músculos doloridos ou cãibras, limiar anaeróbico e débito de oxigênio. Essa explicação simples e única para tantos males fisiológicos perdeu seu crédito. Na verdade, reconhece-se hoje que o ácido láctico tem importantes funções no metabolismo. Longe de ser o "vilão" do metabolismo, o ácido láctico é uma substância essencial, usada no fornecimento de energia, na eliminação de carboidrato dietético, na produção de glicose do sangue e glicogênio do fígado, e no aumento de resistência em situações extenuantes.
Análise de pesquisas
Duas hipóteses - a do Paradoxo da Glicose (15),(19) e a do Transporte de Ácido Láctico (3), (7) - têm sido responsáveis pela nova forma positiva com a qual o ácido láctico é visto. Ambas reconhecem que o acúmulo de ácido láctico no sangue e no músculo podem interferir no estímulo nervoso do músculo, no processo de contração e na produção de energia necessária para contração.
A interferência nesses processos pode causar a fadiga. Entretanto, as duas hipóteses reconhecem que o ácido láctico se metaboliza muito rapidamente - e que a quantidade de ácido láctico no sangue ou no músculo, a qualquer instante, é extremamente menor em comparação com a grande quantidade de ácido láctico que é continuamente formada e eliminada.
Formação do ácido láctico
É importante lembrar que a concentração de um metabólico no sangue, como o ácido láctico, que entra e sai do sangue rapidamente, é apenas o resultado da diferença entre os índices de entrada e os de saída no sangue. Portanto, um aumento da concentração de ácido láctico não significa necessariamente que sua produção tenha aumentado; a diminuição na eliminação de ácido láctico do sangue pode também aumentar a concentração de ácido láctico em circulação.
É fato conhecido que a privação de oxigênio acelera o índice de produção de ácido láctico e estabeleceu-se nas primeiras décadas do século que as contrações poderiam resultar em grande acúmulo de lactato no músculo. No entanto, acreditou-se incorretamente por muito tempo, que a presença de ácido láctico no sangue e no músculo fosse anaeróbica durante o exercício. Sabemos hoje que o ácido láctico é formado e eliminado contínua e freqüentemente em alta velocidade, mesmo em repouso nos músculos adequadamente oxigenados (12), e um aumento da concentração de ácido láctico no sangue significa apenas que o índice de sua entrada no sangue excedeu o índice de sua eliminação (5). 
Em indivíduos em repouso, o ácido láctico é formado em diversos tecidos: nos intestinos, nos músculos esqueléticos, nas hemácias e até mesmo em algumas partes do fígado. A quebra da glicose do sangue parece ser a fonte principal de sua formação em indivíduos em repouso. Os tecidos onde o ácido láctico é eliminado, nos indivíduos em repouso, incluem o coração, certas partes do fígado, rins e possivelmente as fibras musculares de contração espasmódica lenta.
O paradoxo da glicose
A hipótese do Paradoxo da Glicose que descreve a via indireta de carboidratos dietéticos na formação do glicogênio do sangue (10), é o principal tema discutido no trabalho do Dr. J. D. McGarry e associados (15), (19). Eles crêem que o carboidrato dietético é digerido e absorvido na circulação entrando no fígado, principalmente na forma de glicose. Entretanto, em vez de entrar no fígado como glicose e ser convertido diretamente em glicogênio, a maior parte da glicose de carboidratos dietéticos passa pelo fígado, entra na circulação geral e alcança diversos pontos, que supostamente incluem o músculo esquelético, onde ocorre a conversão de glicose em ácido láctico. O ácido láctico que retorna à circulação para alcançar o fígado pela artéria hepática, fornecendo a base precursora para a síntese de glicogênio no fígado. O glicogênio do sangue é paradoxalmente formado não por via direta, mas sim por via indireta.
Uma via indireta da síntese do glicogênio no fígado significa que há um aumento não só da concentração de ácido láctico no sangue após uma refeição rica em carboidratos. A concentração de ácido láctico, entretanto, não aumenta muito, uma vez que ele é eliminado rapidamente. Através desta via indireta, o organismo converte a glicose, um metabólito eliminado do sangue de forma apenas letárgica, em lactato, uma molécula eliminada e utilizado rapidamente, acelerando a eliminação da carga de carboidrato dietético, de forma que não provoque uma aceleração na reação à insulina no sangue ou estimule a síntese de gordura.
Grande parte do ácido láctico que é formado por conversão de glicose dietética é convertido em glicogênio do fígado ou oxidado diretamente como forma de energia. O papel significativo do ácido láctico como combustível oxidante em indivíduos em repouso, ou em exercício, não era reconhecido até que foram usados traçadores isotópicos para estudar o metabolismo do ácido láctico (8), (11), (14), (19), (20).
Deve-se destacar que o aumento de glicose e insulina resultantes de uma refeição rica em carboidratos são importantes em funções anabólicas e a glicose do sangue é o principal precursor do glicogênio do músculo. Após o exercício, importantes reservas de energia do glicogênio do músculo podem ser respostas através de uma bebida restauradora de carboidrato/açúcar, seguida de uma refeição rica em carboidrato. A reação à insulina que se segue ao consumo de carboidratos é anabólica, não apenas porque promove a absorção da glicose pela célula, mas também porque promove a síntese de uma grande variedade de proteínas musculares.
Pesquisas sobre a reposição da glicose no sangue e reservas de glicogênio no tecido após exercício extenuante, indicam que há uma hierarquia definida no que diz respeito à reposição de carboidratos. A ordem de prioridade é aparentemente a glicose do sangue, o glicogênio do coração, o glicogênio do fígado (16), (17). Possivelmente é este sistema que melhora a resistência após exercício intensivo, quando uma rápida reposição alimentar de carboidratos é incerta. Tal sistema de prioridade foi sem dúvida mais significativo nos primórdios da humanidade, já que atualmente a obtenção de alimentos é geralmente fácil.
O transporte de ácido láctico
A hipótese do transporte do ácido láctico, segundo o autor acima citado e seus associados, constitui uma estrutura conceitual que explica como a produção e a eliminação do ácido láctico são balanceadas durante o exercício e como esse balanceamento afeta a concentração de ácido láctico no sangue (10). Essa hipótese sustenta que o ácido láctico, quando formado em lugares onde há quebra de glicose e de glicogênio em alta velocidade pode atingir lugares onde pode ser usado como combustível, servir como fonte para gliconeogênese ou para a resíntese do glicogênio 21. O ácido láctico formado em fibras musculares ativas pode atingir fibras adjacentes altamente oxidativas, onde é combustível preferido e pode ser oxidado em CO2. Por outro lado, o ácido láctico que provém de fibras ativas pode ser transportado para os capilares e em seguida, entrar na circulação. 
Uma rápida visão nos mecanismos envolvidos tornará clara a hipótese. Os níveis de ácido láctico no sangue sobem quando comemos, porém há um aumento muito maior durante um treinamento extenuante. Com o início do exercício, há uma enorme aceleração na velocidade de quebra do glicogênio do músculo (glicogenólise), na absorção de glicose e na quebra de glicose (glicólise) (9). O aumento da glicólise do músculo conduz inevitavelmente a um aumento na produção de ácido láctico e à sua chegada ao sangue. Embora o nível de ácido láctico durante o exercício dependa de vários fatores, a duração e a intensidade do exercício são as determinantes principais. Grande parte da demanda do aumento de energia no início do exercício será suprida por fontes de energia não oxidativas, basicamente glicogenólise e glicólise. Uma vez que apenas uma pequena quantidade de energia (ATP) é produzida para cada molécula de glicose nesse processo, é necessário, no caso da glicose, proceder muito rapidamente, mais do que a mitocôndria relativamente ativa do músculo pode oxidar o ácido láctico em H2O e CO2. Conseqüentemente, há um aumento do ácido láctico no sangue porque o ácido láctico do músculo é "derramado" no sangue. Se o exercício for submáximo, o sistema de energia ativa da mitocôndria dos músculos será ativado após vários minutos e a necessidade extremamente rápida da glicólise diminuirá. Portanto, a velocidade do aumento da concentração do ácido láctico no sangue também diminuirá e a concentração do ácido láctico no sangue pode baixar (5). Pesquisas recentes com isótopo em seres humanos e em outras espécies mamíferas e não mamíferas, demonstram que os índices elevados de produção e eliminação de ácido láctico são mantidos a 300-500% dos índices em repouso, embora o consumo de oxigênio tenha se estabilizado a níveis submáximos (8), (11), (14), (18), (20). Níveis estáveis de ácido láctico são mantidos durante exercício prolongado apesar do aumento de produção de ácido láctico, uma vez que os mecanismos de eliminação são adequados para que este se iguale à produção.

Redistribuição do glicogênio do músculo
Uma vez que o ácido láctico é formado e entra em circulação, pode ser usado de diversas maneiras. Além de sua eliminação dentro do músculo por fibras altamente oxidativas, quantidades significativas de ácido láctico podem ser extraídas do sangue arterial e usadas pelo coração para a produção de energia. No mais, quando um grupo de músculos está sendo exercitado, como as pernas no ciclismo, o ácido láctico pode ser extraído do sangue e utilizado por músculos inativos como os braços. Além disso, o ácido láctico liberado do tecido muscular ativo será reciclado por esse músculo em poucos segundos, mas uma vez tornando-se disponível para fibras altamente oxidativas. 
Conseqüentemente, aproximadamente 75% do ácido láctico produzido durante exercício estável e submáximo é rapidamente usado como fonte de produção de energia aeróbica. A conversão em glicose no fígado e nos rins é responsável por aproximadamente 25% da eliminação de ácido láctico durante o exercício (13), (14). Tal eliminação evita que o sistema acumule quantidade elevada de ácido no sangue, além disso, a glicogênese no fígado, a partir do ácido láctico, é o principal meio de manter a quantidade adequada de glicose no sangue durante o exercício prolongado.
Foi demonstrado que o transporte vascular de ácido láctico dos músculos inativos para o fígado e finalmente para músculos em recuperação, pode auxiliar a reposição do glicogênio no músculo, gasto em exercício extenuante (1), (2). O ácido láctico, em pessoas que se submetem a exercício que cause fadiga às pernas é liberado das reservas de glicogênio nos músculos inativos dos braços. O ácido láctico liberado alcança o fígado e os rins, onde é convertido em glicose para ser mais uma vez liberada na circulação geral. Daí, a glicose atinge os músculos da perna antes ativos, agora em recuperação e funciona como precursor para a repleção do glicogênio do músculo.
Seria razoável perguntar por que o ácido láctico é tão importante na regulação do metabolismo. A resposta correta é desconhecida, mas há aparentemente fortes razões fisiológicas. O ácido láctico - contrastando com a glicose e outras substâncias orgânicas combustíveis é um substrato menor e mais prontamente substituível, locomovendo-se através da membrana celular por transporte facilitado e seu movimento não exige a presença de co-fatores, tais como a insulina. Além disso, o lactato pode ser formado rapidamente no músculo em grandes quantidades e liberado na circulação geral. Por outro lado, as células musculares com grandes reservas de glicogênio não podem liberar quantidades significativas dessa fonte potencial de energia em forma de glicose, já que o músculo não contém uma enzima importante necessária para a produção de glicose livre que pode ser liberada no sangue.

Aplicações práticas
O atleta e o técnico devem aprender a lidar com o ácido láctico de forma eficaz. O principal objetivo das estratégias de treinamento deve ser minimizar a produção de ácido láctico e aumentar a produção de ácido láctico e aumentar sua eliminação durante as competições; isto já faz parte de muitos programas de treinamento atuais. Deve-se reconhecer que a formação do ácido láctico, bem como a velocidade de sua eliminação, são funções diretas da velocidade do metabolismo conforme indicado pela velocidade de absorção do oxigênio e concentração de ácido láctico no sangue. Dessa forma, pode-se observar que a crescente capacidade das vias de eliminação do ácido láctico depende em larga escala do aumento da carga de ácido láctico em níveis bem elevados. Treinamento de alta intensidade irá maximizar as adaptações necessárias para aumentar a utilização de oxigênio (VO2 max.). Tal treinamento de alta intensidade é importante, no que diz respeito ao ácido láctico, porque quanto maior for a liberação de oxigênio nos músculos, menor será a dependência da quebra de carboidratos em ácido láctico. Além disso, o aumento da capacidade circulatória irá acelerar a eliminação de ácido láctico por tecidos que podem elimina-lo do sangue. 
O treinamento prolongado submáximo tem a vantagem de induzir as adaptações periféricas (musculares), que reduzirão a velocidade de formação do lactato, além de aumentar a velocidade de eliminação do lactato. Treinamento que envolve corrida, natação ou ciclismo por muitos quilômetros, parece causar um aumento máximo na capilaridade e na capacidade funcional mitocondrial no músculo esquelético. Grande capacidade mitocondrial tende a aumentar o uso de ácidos graxos como combustível e conseqüentemente, diminuir a formação de lactato. Além disso, maior capacidade mitocondrial do músculo facilita a eliminação do ácido láctico.
Aplicando-se esta informação sobre ácido láctico na nutrição, faz-se claro que a nutrição de um atleta sob treinamento extenuante, que consome as reservas de glicogênio, deve enfatizar carboidratos. Os carboidratos fornecem uma fonte imediata de glicose, de forma que o atleta tem um sentimento de bem-estar e uma fonte rápida de energia. Além disso, a glicose é o precursor para a reposição do glicogênio no músculo. Quando as reservas de glicose no sangue e do glicogênio no músculo tiverem sido repostas, a glicose fornece também uma fonte de lactato que permite a reposição do glicogênio do fígado de acordo com a hierarquia descrita anteriormente.

Resumo
O ácido láctico é um importante metabólito. É uma substância usada para sintetizar o glicogênio. A oxidação do ácido láctico é uma importante fonte de energia. Em células musculares altamente oxidativas, assim como as células cardíacas e fibras musculares esqueléticas oxidativas, o lactato é a fonte preferida de energia. O ácido láctico é também um poderoso ácido orgânico e seu acúmulo pode resultar em sensações de cansaço e inibição da concentração muscular. Os atletas sob treinamento de alta intensidade e longa duração necessitam de bom balanceamento na produção e eliminação de ácido láctico. Este desenvolverá a capacidade vascular necessária para maximizar o transporte de oxigênio e, portanto, minimizar a produção de ácido láctico, além de transportar o ácido láctico produzido para os pontos de eliminação. O treinamento de longa duração é necessário para desenvolver adaptação das enzimas dos tecidos, o que maximizará o uso de ácidos graxos na energia (o que auxiliará a minimização da produção de ácido láctico a partir de carboidratos) e para maximizar a eliminação de ácido láctico.

Referências
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(3) Brooks, G.A. Lactate: Glycolytic end product and oxidative substrate during exercise in mammals - "The lactate shuttle". In, Comparative Physiol. and Biochem. - Current Topics and Trends, Volume A. "Respiration - Metabolism - Circulation", R. Gilles (Ed), Springer Verlag, 1985, pp. 208-218.
(4) Brooks, G.A. "Anaerobic threshold": Review of the concept and diretions for future research. Méd. Sci. Sports Exerc. 17:23-31, 1985.
(5) Brooks, G.A.. The lactate shuttle during exercise and recovery. Méd.Sci. Sports Exerc. 18:360-368, 1986.
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(8) Brooks, G.A., Brauner, K.E., Cassens, R.G. Glycogen synthesis and metabolism of lactic acid after exercise. Am. J. Physiol. 224:1162-1166, 1973.
(9) Brooks, G.A., Fahey, T.D. Exercise Physiology: Human Bioenergetics and Its Applications. New York, Macmillan, 1984, pp.189-215, 701-712.
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(11) Brooks, G.A., Gaesser, G.A. End points of lactate and glucose metabolism after exhausting exercise. J. Appl. Physiol. 49:1057-1069, 1980.
(12) Connett, R.J. Gaueski, T.E.J., Honig, G.R. Lactate accumulation in fully aerobic, workinig dog gracilis muscle. Am. J. Physiol. 246:H120-128, 1984.
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(20) Stanley, W.C., Gertz, E.W., Wisneski, J.A., Morris, D.L., Neese, R.A. Brooks, G.A. Systemic lactate kinetics during graded exercise in man. Am. J. Physiol. 249:E595-E602, 1985.
(21) Stanley, W.C., Gertz, E.W., Wisneski, J.A., Neese, R.A., Morris, D.L. Brooks, G.A. Lactate extraction during net lactate release by the exercising legs of man. J. Appl. Physiol. 60:1116-1120, 1986.


Apneia do Sono


Apneia do sono pode causar tumor


A interrupção contínua da respiração dos pacientes com apneia obstrutiva do sono pode estar relacionada com a proliferação de células cancerígenas e com um aumento do crescimento de tumores, segundo um estudo da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Toráxica (SEPAR).

A pesquisa concluiu que a alta taxa de falta de oxigênio (hipoxia) contribui para crescimento de tumores, informou nesta segunda-feira a sociedade médica em comunicado.

A hipoxia é um sintoma recorrente da apneia obstrutiva do sono e pode causar problemas cardiovasculares, como a hipertensão.

O estudo foi feito em ratos que levaram injeções de células tumorais de melanoma e em seguida foram divididos em dois grupos. Os animais do primeiro grupo foram expostos a uma hipoxia ininterrupta que simulava a apneia do sono e os do segundo receberam níveis normais de oxigênio.

Ao finalizar o estudo, os tumores dos ratos foram extirpados e pesados, e se mediu o grau de necrose dos mesmos para determinar sua agressividade.

O aumento do tamanho do tumor foi maior nos ratos submetidos à hipoxia ininterrupta, segundo o pesquisador Ramon Farré, membro do setor do sono do SEPAR.

Concluiu-se que o peso do tumor e a necrose dos roedores com hipoxia ininterrupta eram quase duas vezes maiores que o dos tumores dos ratos do outro grupo.

Segundo a sociedade médica, apesar da pesquisa ter sido feita em animais, suas conclusões poderão ter implicações futuras em clínicas se os resultados se confirmarem também em grande escala em humanos.

Pesquisas futuras avaliarão se a hipoxia ininterrupta também provoca a formação inicial de tumores e se esta promove as metástases dos tumores de um órgão a outro, assim como se existe relação entre a incidência do câncer e a gravidade da apneia.

O trabalho, financiado em parte pela SEPAR, foi selecionado para ser apresentado no simpósio "Descobrimentos científicos do ano", que está incluído dentro do recente congresso da American Thoracic Society, e será publicado no "European Respiratory Journal". 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um pouco mais sobre as escaladas na parede da Ostra



Hoje o dia foi mais do que perfeito, com tantas coisas acontecendo, depois de ver o resultado positivo no vestibular, o quê poderia me acontecer de melhor!? Fui escalar com o amigo Fabio Gollum, o dia estava com uma temperatura ideal, depois de entrar em um 7b e outo 7c, para animar os ânimos, rs! Saiu a cadena da via O Berro, um lindo 8c, o oitavo grau mais difícil do setor, sendo esta a segunda cadena da via desde a conquista! Tem aproximadamente 45 metros de via e 12 proteções!
 A primeira foi pelo próprio conquistador e amigo, Fabricio Lofrano, depois de muito tempo, saiu esta linda via que me deixa na cara da via Cavaleiros das Trevas, um lindo 9b, esperando por um pouco mais de dedicação da minha parte e  cadenas da galera.
 ...Como diz o amigo Gollum, oque vale é a qualidade da via e não o grau que a mesma contempla!!! Valeu pela incentivo amigo, eu que nem ia subir mais, achando que já estava um pouco tarde e você me pilhou!
  A parede da Ostra que está situada em Canta Galo, guarda grandes segredos e encantamentos aos seus visitantes, com boa acessibilidade, tem as suas particularidades em seu estilo de movimentação e com proteções de ótima qualidade! Para todos uma ótima escalada nesse final de semana, muita paz para todos!.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Roxana, Sete Lagoas - MG

Setor Roxana, Sete Lagoas – MG


No dia 20 de agosto, tive o privilégio de conhecer o setor Roxana em Sete Lagoas, próximo a BH, através do amigo Vital, escalador de Belo Horizonte e Guilherme Handel, companheiro de escalada em minha cidade e mais a parceria do seu irmão Vinicius Stalin que guiou pela primeira vez seu primeiro 5° gral! Eu não imaginava muita coisa, antes de conhecer o setor Roxana, porém minhas expectativas foram superadas, o setor conta com paredes de vários tamanhos e alturas, corredores de parede de pedra, eu que estava escalando por dois dias no sitio do Rod em Lagoa Santa, já estava ansioso para conhecer esse tal setor.

Minas Gerais é um estado encantador e na sua capital existem vários setores de escalada esportiva e boulder, tudo próximo e bem localizado! Em Roxana andei perdido em meio a seus corredores de pedra! Tudo era muito interessante pra mim que facilmente visualizo linhas de escalada mesmo onde não tem!

Com tanto potencial e espaço para bastante conquista, logo encontramos pessoal conquistando via nova no setor, depois de andar, escalar e conhecer as vias, na volta eu tive o prazer de entrar na tal via, recém conquistada, como estava um pouco tarde e escurecendo, entrei rápido e isolei os movimentos, como era a primeira entrada, não dava pra visualizar muito a vista, de primeira, mas logo me encaixei e também logo escureceu como não tinha mais ninguém no setor, resolvi jogar pra baixo um bloco que estava solto no final da via, sendo muito convidativo para ser agarrado, bom fiz minha contribuição também! A via deve estar na casa do 8a/b e espero confirmar em outra época com os conquistadores e perguntar o nome da mesma.

Vale muito à pena conhecer esse setor que não é tão novo assim! Com suas paredes e corredores, buracos e formatos variados, o lugar é um prato cheio para se escalar, as paredes sempre tem agarras e buracos, onde se tem vias fáceis e intermediárias, o Vinicius Stalin, guiou pela primeira vez, e teve a oportunidade de fazer sua primeira cadena em sua vida de escala, mandou dois 5° graus! Muito bem Viniboy! Com tantas lembranças já fica a vontade de voltar logo a região de Minas Gerais.


Via Roxana foto: Guilherme Handel

                                               Boas escaladas!




Sitio do Rod

Sitio do Rod


Sitio do Rod fica localizada em Lagoa Santa, próximo a capital de Minas Gerais e caminho para Serra do Cipó! Sempre passei por perto, porém nunca havia tirado um tempo para conhecer tal potencial de escalada na região que é explorado a mais de 16 anos de escalada, o lugar também tem circuito de trilhas para bicicletas, bem, dessa vez recebi o convite do amigo Guilherme Handel para ir para Belo Horizonte, aniversário do seu pai, escalar e visitar seus familiares!

Chegamos quarta feira à noite, 17 de agosto, iniciamos três dias de escalada consecutiva, Primeiro escalamos dois dias no Rod, onde tive o prazer de conhecer um casal muito simpático, o Willian (Japa) e Maria Rita, que me apresentaram as vias de escalada do grupo 2 e 3! O lugar tem grutas e é um sitio arqueológico, onde já foram encontrados restos mortais e utensílios de uma época muito distante.

O convite e parceria não poderia ter sido das melhores, entre tantas vias escaladas na companhia dos amigos, ainda teve tempo para uma seção de cervejas no Rod, bom papo de escalada e revendo as fotos do dia!

No terceiro dia de escalada, fomos conhecer o setor Roxana, que fica em Sete Lagoas, que comentarei em outro post! Com tanta coisa pra se escalar, faltou um pouco de atenção pros pais do amigo, que fazia aniversario no dia 21, domingo, que foi o dia tirado pra descanso e confraternização!

Portanto, digo que vale a pena dar uma passadinha para conhecer o sitio do Rod, é cobrado uma quantia simbólica no valor de 5 reais para escalar no sitio, no mesmo está disponibilizado banheiro, piscina, sauna e área de camping para quem quiser passar mais uns dias, bem próximo existe um restaurante com uma boa comida, lembrando que precisa comunicar um pouco mais cedo para jantar! Quanto às vias de escalada, minhas sugestões são Tapa na Aranha, Carioca, Urtiga, Atleta Do Climbing, El Passeio, Secuzinho e Sedativa, esta última é um lindo 7c, saindo negativo, com agarras grandes e buracos, uma maravilha! Lembrando que é muito importante, não deixar lixos ou impactos, pois o sítio é uma área de preservação ambiental, onde é muito fácil se ver micos e coco tas pelos setores de escalada!

Willian na via El Passeio

Video de Sergio Santos na cadena da via Sedativa 7c.



                                                           Boas aventuras e escaladas.